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O rabiscar do calendário

maio 20, 2009

       O tempo passa, passa e continua passando, tudo é novo, velho, reciclado. A vida vai riscando os números do calendário e crescer não é preciso, mas sim obrigatório. Assumimos riscos, assopramos velas e nem sempre nos tornamos maduros. O tempo é um fator que geralmente não é notado, mas quando é incomoda, aperta e tira do sério. O fato é: todos querem chegar aos 60, mas ninguém quer ter 60. Rugas na pele, dificuldades diversas e uma beleza batendo a porta na cara. O que fazer? Plásticas só resolvem pra quem perdeu tempo demais.

       Ah, a beleza nesse caso é o grande problema. Eu não quero crescer, aposto que ninguém quer, mas é a tendência do ciclo da vida. Ver a beleza nas mais diversas formas é o que mantém a juventude. Se aceitar e aceitar que nem sempre é preciso ser igual pra ser belo, ser padronizado pra atingir algum tipo de beleza ou todas elas. Se as rugas são bonitas em alguns cães por que diabos em nós não? Não pensem que sou adepta a rugas ein, e nem uma maluca revoltada com elas. O meu ponto é que o tempo passa e o que importa mesmo é o que aprendemos, o quanto nos tornamos nós e fugimos de produtos e imagens que são impostas, o problema não está em serem impostas, mas em sermos influenciáveis. Ser maduro é ser si próprio, é ter opinião.

       O tempo é uma caixinha de surpresas, aceita aí, pra que recusar tanto um presente desses? Vai que no final venha um romance embalado, um dia especial ou uma oportunidade de emprego. Só quem permite isso é o agora e se ele não permitir, o amanhã se responsabiliza.

Life_by_Forfeit

       Bem como dizia Cazuza: “O tempo não para”.

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um olhar que sente..

maio 4, 2009

       E em um dia qualquer eu me deparo, ao caminhar pela rua, com uma criança. Ela não me pede nada, não fala, mas os olhos famintos consomem aquilo que as palavras não dizem. Outro dia qualquer eu cruzo meu caminho com outra criança, a linguagem conhecida não é dita, mas os pés sujos e descalços de quem caminhou pela vida a procura de coisas que a idade não diz fazem as palavras que não são sussurradas ganharem vida. É, somos todos caminhantes. Caminhamos sobre nossas glórias e as derrotas alheias, com passos de falsos gigantes que não olham para os lados. Gigantes tão pequenos, gigantes esses que enterram os valores que deviam ter.
       São muitas as crianças de nosso país que estão nas ruas; por abandono, por falta de condições, por servirem aos vícios dos pais. Algumas com os olhos tristes de quem deve encarar uma realidade adulta, uma realidade que remete a problemas futuros, a furtos de todos os tipos. O furto de uma infância, o furto de um futuro e o furto que pode ser traçado por mágoas, que acaba interferindo em outras vidas, afetando lares com teto. Será que alguém já pensou nisso? No quanto deve ser difícil para uma criança, inocente filha do mundo, encarar uma realidade que nós não conseguiríamos?
      A questão é complexa. Ao doar dinheiro, se inibe a oportunidade, se mantém um vínculo, uma rotina, a repetição continua e assim se cria um estímulo. Mas difícil é resistir aos olhos que enxergam o mundo de uma maneira diferente, olhos tão doces por natureza e que guardam mágoas que eu não saberia somar. Ainda sou da opinião de oferecer um pedaço de pão que seja para essas crianças, um abraço talvez, quem já fez isso conhece o melhor sorriso, um sorriso sem disfarces. Quem fez isso sabe que a sensação não tem igual e ver esses olhos sorrirem não tem preço. A minha questão é: até onde a gente se importa? Será que dar a mão é realmente difícil?
       O mundo possui suas falhas, mas erguer a cabeça e chamá-lo de casa é um mérito, ainda mais quando vemos, sentimos e agimos. A sociedade, o governo, de que adianta discutir e culpa-los quando somos membros de um desfalque com nós mesmos? O começo vem de dentro, só depois muda o externo. Humildes aqueles que olham nos olhos hoje em dia, mais humildes os que dão o que, no caso, uma destas crianças mais precisa, uma dose de sinceridade, de humanidade.

Children__Unposed_12_by_shutterblade

 

E você, já viu o brilho nos olhos de uma criança?

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Começando

março 19, 2009

  Uma gota de insanidade e as xícaras de chá. Provavelmente, eu ainda vou mudar esse título, contando que essas palavras foram escritas por serem as primeiras que passaram pela minha cabeça. Insanidade porque ninguém é normal e nada é normal, ao contrário teríamos resposta para nossa existência.  Xícaras de chá pelo conforto em que o mundo se encontra, pelo grande número de pessoas sentadas, fazendo nada e esperando que a vida aconteça.

The_Mystery_of_Life_by_aksdareflection

   Venho aqui através da proposta de uma professora, onde o objetivo é criar um blog e neste escrever sobre algum assunto que me chame atenção. Mas para mim, ahhh… essa é a parte complicada, eu não sei ser um inteiro, sou vários pedaços. E esses vários pedaços que se juntam em uma só, pensam, falam e sentem, querem mudança e tem uma visão de mundo que muitos ignoram.  O assunto, portanto, se resume a quatro letras:  v i d a. E como vocês devem saber, essas pequenas letras ultrapassam a existência, abrindo diversos caminhos. Caminhos estes que eu quero traçar com minhas palavras, aqui neste blog. 

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